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Me reconheci violenta

Observo no contexto cultural em que vivo, as conversas serem pautadas na classificação, no julgamento e costumam conferir recompensa e punição. Há o hábito de atribuir aos outros responsabilidade daquilo que se sente. Esta lógica nos tendência a lutar por ascendência sobre outros, a ter razão. Fortalece a violência, possibilita uma sobreposição ingovernável de expressões que por vezes culminam na violência física ou na violação, que não necessariamente usa de força. Me reconheci violenta quando me dei conta que reproduzia esse padrão opressivo e excludente. Eu vivi vários conflitos… conflitos tanto comigo mesma quanto com outras pessoas. Era um constante processo de classificação, tanto minhas atitudes e quanto das pessoas com quem eu interagia.

Ao reconhecer que minhas ações muitas vezes violavam os outros tentando enquadrá-las em certo e errado, busquei ter uma ação deliberada para ir em direção à encontrar um lugar de maior respeito, com reconhecimento na pluralidade de expressões e singularidade da existência dos seres. Encontrei na Não-Violência uma lógica coerente que intenciona não violar o outro. Na realidade, compreendi que todas nossas ações, no fundo visam, fazer que a gente se sinta bem... Assim como outros animais, nós que somos seres biológicos, temos na ação instintiva sempre o objetivo de nos manter vivos e confortáveis. Com os estímulos de todas as situações que vivemos, nosso cérebro se condiciona a emitir mensagens das mais variadas formas: tanto de satisfação quando estamos confortáveis, quanto de alerta sobre situações de perigo que já vivemos. Aquilo que eu sinto e aprendo é um processo que acontece no meu organismo e por mais que outra pessoa ou situação seja estímulo, a responsabilidade do que fazer com o que sinto é minha.


Por ter colocado em prática na minha vida, intencionado minha presença e atenção para escutar, tanto a mim mesma quanto as pessoas que se relacionam comigo, especificamente com o foco naquilo que valorizamos, possibilidades muito criativas aconteceram. Colocando minha atenção dessa forma, na possibilidade de me relacionar com o mundo através dos valores, foi profundo e radical, permitiu ser sincera, verdadeira e por vezes até cuidadosa.


Celebro ter estabelecido conexão com pessoas que são muitos diferentes de mim, mas nem sempre é assim...Não há uma receita para ter sucesso e paz nas relações! Nomear com clareza meus fluxos e vem trazendo benefício a mim mesma, trazendo clareza paras as escolhas que faço na vida. O processo de mudança cultural começa com um processo de transformação individual, através da compreensão e reflexão… Uma fala para inspirar a prática de escuta na vida:


“Não há uma forma mais rápida e fácil de nos tornarmos não-violentos. É preciso esforço constante e é um desafio para toda a vida. Aprender juntamente com a prática é muito mais efetivo.” Michael Nagler



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